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Projeto que regulamenta bicicletas elétricas e patinetes chega à Câmara de Juara
Texto propõe idade mínima de 16 anos, capacete e equipamentos de segurança e prevê recolhimento do veículo e multa. Dimutran, PM e Bombeiros pedem aprovação para evitar acidentes com jovens.
quinta, 24 de setembro de 2026 - POR: Anderson Reis | FOTOS: IA - Anderson Reis

Capacete, retrovisor, campainha e no mínimo 16 anos de idade. Essas são algumas das condições para pilotar bicicletas elétricas e patinetes nas ruas de Juara, segundo o projeto de lei que agora está com os vereadores.

A proposta nasceu de uma preocupação que só aumenta. Crianças e adolescentes circulam pela cidade nesses veículos sem proteção e sem noção de trânsito. Segundo o Corpo de Bombeiros, os acidentes aumentaram nos últimos dias. Nenhum foi grave até agora.

O Projeto de Lei nº 088/2026 foi enviado pelo Executivo Municipal e chegou à Câmara no dia 18 de setembro. Nesta quinta-feira (24), representantes do Departamento Municipal de Trânsito (Dimutran), da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros se reuniram no gabinete da Prefeitura para explicar a proposta.


O que muda se a lei for aprovada

O projeto separa os veículos elétricos em três categorias, cada uma com regras próprias:

  • Bicicletas elétricas e patinetes (autopropelidos): idade mínima de 16 anos, capacete obrigatório e velocidade limitada a 20 km/h. Os veículos precisam ter indicador de velocidade, campainha, sinalização noturna e espelho retrovisor do lado esquerdo.
  • Proibições para quem pilota: andar na contramão, usar fones de ouvido e conduzir com apenas uma das mãos. Patinetes não podem levar mais de uma pessoa.
  • Onde podem circular: em ciclovias e ciclofaixas. Onde não houver, pelo lado direito da pista, no mesmo sentido dos carros. Calçadas ficam proibidas: nelas, o condutor deve descer e empurrar o equipamento.
  • Ciclomotores: passam a ter as mesmas exigências das motocicletas, como habilitação (ACC ou categoria A), registro, emplacamento e capacete. Essas regras já constam no Código de Trânsito Brasileiro.


Equipamentos usados por idosos e pessoas com mobilidade reduzida, com velocidade de até 6 km/h, não entram em algumas das restrições.


Recolhimento, multa e presença dos pais

Quem descumprir as regras poderá ter o veículo retido ou removido. A multa administrativa prevista é de 4 Unidades Padrão Fiscal do Município (UPFM), o que dá pouco mais de R$ 200 nos valores atuais.

Segundo o chefe do Dimutran, Amaurício Cordeiro, o veículo recolhido vai para o pátio do departamento. Ele só será devolvido com a presença de um responsável e a apresentação da nota fiscal.

Cordeiro pediu que os vereadores mantenham os pontos considerados essenciais pelas forças de segurança. São eles a idade mínima de 16 anos e o uso obrigatório do capacete e do retrovisor. "Vários municípios do Brasil estão utilizando esse mesmo modelo. Ele já foi estudado, analisado juridicamente e está sendo prático e viável", afirmou.


Polícia Militar diz que atua hoje sem respaldo legal

Para a Polícia Militar, a lei vai dar à fiscalização uma base que hoje não existe. O subcomandante da PM em Juara, 1º tenente Elton, afirmou que a corporação recebe muitas reclamações, mas não tem como agir.

"Hoje a gente vive num limbo da lei sobre a atuação da Polícia Militar nos casos que envolvem esses veículos elétricos. Muitas reclamações chegam até nós, mas sem a lei não havia possibilidade de atuação", disse.

O oficial reconhece que o tema divide opiniões e defende que todos cheguem a um acordo para garantir uma convivência segura no trânsito. Enquanto a lei não é votada, ele lembra a regra básica: "O maior tem que cuidar do menor no trânsito. É preciso dirigir com atenção e com direção defensiva para evitar acidentes."


Bombeiros cobram responsabilidade dos pais

O 2º tenente Maziero, do Corpo de Bombeiros, afirmou que a proposta tem um objetivo principal: proteger a vida de quem circula pelas ruas.

"Muitos desses jovens vão para a escola sem noção de direção defensiva e sem usar os itens de segurança. A lei vai normatizar essa situação e fazer com que os pais também assumam a responsabilidade junto com os filhos", disse.

Segundo o Executivo Municipal, o projeto é uma medida de prevenção. O objetivo é evitar que acidentes com esses veículos custem vidas em Juara.


Próximos passos

O projeto passa agora pelas comissões da Câmara e depois vai a votação em plenário. Se for aprovado, a lei entra em vigor na data da publicação.

O texto também obriga o Dimutran a fazer campanhas educativas periódicas, junto com outros órgãos de trânsito, para orientar pais e condutores. A fiscalização ficará com o Dimutran e com a Polícia Militar.