Ter prioridade no posto de saúde não significa ser chamado antes de todos. A regra, prevista em lei, segue uma ordem que nem sempre é conhecida por quem procura atendimento.
A prioridade existe e é garantida. Mas, dentro dela, a gravidade do quadro clínico vem primeiro. São as "prioridades das prioridades", definidas pela legislação, pelos protocolos de saúde e pelo bom senso. Todas são respeitadas nas unidades do município.
Para que toda a população saiba como funciona o atendimento, a Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde explica quem tem direito à prioridade, como funciona a classificação de risco e onde o cidadão pode tirar dúvidas.
Um exemplo comum: a criança com autismo tem direito à fila preferencial. A mãe que vai sozinha à unidade buscar uma receita, não. A prioridade é um direito individual e vale para a pessoa do grupo prioritário que está presente naquele momento.
Nas Unidades de Saúde da Família (ESFs) do município, têm atendimento prioritário, entre outros grupos previstos em lei:
A enfermeira Taciane, responsável pela ESF Rural, explica que a presença do paciente é condição para o direito.
"No caso da criança autista, ela precisa estar presente na unidade. Se a mãe vier fazer a retirada de uma receita ou outro procedimento e não estiver com a criança, essa prioridade não se estende para a mãe. Ela se aplica à criança, que é o direito dela", afirma.
As unidades de saúde de Juara usam a classificação de risco do Protocolo de Manchester. O método, adotado em serviços de saúde de vários países, organiza a fila pela gravidade do quadro clínico, e não pela ordem de chegada.
"Se tiver uma emergência na unidade, essa emergência vai passar por cima da prioridade. Isso não significa que a prioridade não será atendida", explica Taciane.
Outra regra: o paciente que já está dentro do consultório não é retirado para dar lugar a alguém do grupo prioritário. A pessoa com prioridade entra na próxima vaga.
A orientação é chegar à unidade, passar pela triagem e aguardar a chamada. "Nossa equipe faz todo o acolhimento de forma respeitosa e orientativa. Qualquer dúvida, procure a enfermeira responsável pela unidade ou se informe na recepção", diz a enfermeira.
Cada unidade de saúde do município tem uma enfermeira responsável. Ela é o primeiro contato para dúvidas, reclamações e pedidos de encaminhamento.
A coordenadora da Atenção Básica, Daniela Mazutti, lembra que todas as unidades da Atenção Primária contam com o apoio da psicóloga Renata, que integra o programa eMulti (Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária).
O serviço atende uma demanda frequente das mães atípicas, que cuidam de filhos com deficiência ou neurodivergência. "Quem precisar de atendimento, apoio ou encaminhamento pode fazer o pedido pelas enfermeiras das unidades de saúde", orienta a coordenadora.