São 4h da manhã e Juara ainda está no escuro quando o motorista começa a passar de casa em casa. Para sete pacientes, o dia de tratamento começa ali: são 290 quilômetros de estrada até a próxima sessão de hemodiálise, em Sinop.
A viagem se repete toda segunda, quarta e sexta-feira. A volta acontece no mesmo dia, e o ônibus só chega de novo a Juara por volta das 21h.
O transporte é feito pela Secretaria Municipal de Saúde. Desde sexta-feira (2), o trajeto passou a ser feito em um ônibus novo, recebido pelo município em julho por meio do programa federal Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde.
O ônibus busca cada paciente em casa e, no retorno, deixa cada um no mesmo endereço. Os pacientes também recebem uma ajuda para alimentação.
Hoje, seis moradores de Juara fazem o tratamento na CTR – Clínica de Tratamento Renal, em Sinop. O grupo inclui ainda um paciente de Novo Horizonte do Norte.
"O município disponibiliza toda a infraestrutura para o tratamento desses pacientes", explica a secretária municipal de Saúde, Juliana Razine.
Antes, o único paciente de Novo Horizonte do Norte viajava com o grupo de Porto dos Gaúchos. Para isso, precisava ser levado até Porto para embarcar, o que o obrigava a sair de casa ainda mais cedo.
Como a rota que sai de Juara passa por Novo Horizonte, a Secretaria de Saúde de Juara assumiu o transporte desse paciente após conversa entre os municípios. A mudança trouxe mais comodidade ao paciente.
O veículo tem 28 lugares, ar-condicionado e poltronas para viagens longas. Para quem usa cadeira de rodas, conta com elevador e rampa de acesso.
O ônibus veio para Juara através do Agora Tem Especialistas, programa do Ministério da Saúde que busca reduzir o tempo de espera no SUS por consultas, exames e cirurgias de média e alta complexidade. Em Juara, ele é usado exclusivamente para levar os pacientes da hemodiálise.
Uma técnica de enfermagem acompanha o grupo do embarque até a volta. A presença dela é necessária porque o tratamento pode provocar reações no caminho.
"Como é um tratamento renal, eles podem ter uma queda de pressão, uma alteração de pressão, ou até mesmo passar mal, ter náuseas", explica a técnica de enfermagem Lucinda.
Ela também ajuda os pacientes mais debilitados a subir e descer do ônibus. Na clínica, faz a ponte entre a equipe médica e a Secretaria de Saúde de Juara.
A hemodiálise assume o papel dos rins quando eles perdem a capacidade de funcionar sozinhos. Ela é o tratamento que garante a saúde e a qualidade de vida dos pacientes com insuficiência renal crônica grave.
"De uma maneira mais simples, o paciente vem para filtrar o sangue e também para retirar o excesso de líquido que fica acumulado no organismo por não ter a função renal ativa", explica a enfermeira Graciela, responsável pela CTR.
Cada sessão dura de 3h30 a 4 horas. Os pacientes de Juara são atendidos no segundo turno, a partir das 10h. A clínica funciona em três turnos, com 42 máquinas disponíveis em cada um.
Segundo a secretária de Saúde, a abertura de um centro de tratamento renal exige um número mínimo de pacientes, que ela estima em cerca de 100, e uma UTI no município para dar retaguarda em caso de intercorrências.
"Esse é um dos motivos de não termos um centro de tratamento renal em Juara. Sinop hoje é o lugar mais próximo para trazer o nosso paciente", afirma Juliana Razine.
O serviço também exige alto investimento em máquinas de diálise e manutenção constante. A água usada no tratamento precisa passar por um sistema próprio de purificação, com regras definidas pela Anvisa na RDC nº 919/2024. Outro obstáculo é a falta de profissionais especializados, como médicos nefrologistas.
Diabetes e pressão alta estão entre as principais causas da doença renal crônica. Quem tem um desses problemas deve fazer o acompanhamento na unidade de saúde do seu bairro.